Foto: Biô Barreira

Jorge Felix é jornalista, 40 anos, trabalhou por quase 10 anos no Jornal do Brasil, onde foi repórter especial em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Foi editor-assistente de Política da revista IstoÉ; colunista do portal AOL, repórter de economia dos telejornais Bom dia, Brasil e Jornal da Globo e coordenador de produção do Jornal Nacional. Na Editora Globo, foi um dos criadores da revista Quem, da qual foi redator-chefe. Na TV Cultura, implantou e coordenou o Núcleo de Comunicação da Fundação Padre Anchieta. Foi sócio da editora Barcarolla. Desde abril de 2006, integra o staff de editores da Letras&Lucros. Também escreve nas revistas Update (Amcham), ValorInvest e no jornal Valor Econômico.

09/12/2008 23:37

Quem se habilita a vender bengala?

Muita coisa irá mudar na publicidade brasileira com o envelhecimento populacional. O Brasil tem hoje 10,5% da população com 60 anos ou mais - cerca de 20 milhões de pessoas. A tendência dos profissionais de comunicação é sempre enxergar este fenômeno com aqueles “óculos especiais” que, segundo Pierre Bourdieu, são usados pelos homens da mídia. Através dessas lentes, entendia o sociólogo, vêem certas coisas e não outras; e vêem de certa maneira as coisas que vêem. Assim, operam uma seleção e uma construção do que é selecionado.

Como o fato de a nossa população seguir a tendência mundial de envelhecimento está sendo percebido pela publicidade? Muitas das respostas que vêem à tona já deixam de conferir à citação sociólogica qualquer caráter de gratuidade. Os publicitários estariam olhando este processo de transformação da sociedade com as lentes corretas? Ou estariam seguindo a percepção vulgar de que o envelhecimento populacional é um evento-catástrofe? Melhor ainda: estariam de olho apenas na oportunidade de formação de um mercado consumidor?

O Brasil alcançará o nível de país em avançado estágio de envelhecimento, com 14% da população idosa, em apenas 20 anos. Se as respostas àquelas perguntas confirmaram Bourdieu, é este o tempo que a publicidade tem para curar sua miopia. A primeira função da publicidade é vender. Mas dentro deste sistema sempre haverá um espaço para uma missão social (e talvez até esta se estabeleça lucrativa). A publicidade, por enquanto, está atrasada na questão do envelhecimento. Os fatos estão ocorrendo sem que o setor perceba o quanto pode influenciar, transformar e colaborar para a construção da sociedade brasileira envelhecida.

O papel da publicidade será fundamental para auxiliar o setor privado e as políticas públicas nesta fase de transição demográfica. O maior desafio é mudar a imagem do idoso na sociedade. Ou melhor, adequá-la à realidade. Metade dos idosos brasileiros é chefe de domicilio e contribui com mais da metade da renda familiar (na região Nordeste o percentual é de 67% dos lares). No entanto, a imagem do idoso nos comerciais ainda descamba quase sempre para a dependência – muito mais relacionada com o segmento de “mais idosos”, aqueles com mais de 80 anos que, aliás, vem crescendo acentuadamente.

O Brasil, segundo Darcy Ribeiro, acostumou-se desde a formação do povo brasileiro a ver-se jovem e valorizar o vigor característico e necessário à sua fase colonial, cujo processo de produção agrário-mercantil dependia da força. Ainda somos assim e com certa razão. Qualquer um numa agência de publicidade poderá verificar facilmente a youngpower do mercado consumidor brasileiro. Mas é preciso a publicidade preparar-se, agora, para enfrentar o desafio de falar com idosos. Ela não sabe. E vem perdendo ótimas chances.
Uma delas ocorreu há alguns meses, em Brasília, quando houve grande polêmica sobre aquelas placas que indicam “prioridade aos idosos” em filas de bancos, assentos de transportes coletivos ou vagas de estacionamentos. Aquela aparentemente ingênua plaquinha azul mostra um boneco com bengala. Algumas pessoas contaminadas pelo vírus do politicamente correto defenderam a retirada da bengala daquela, digamos, “logomarca da terceira idade”. A justificativa era a discriminação, o incentivo à percepção de que o idoso é um ser obrigatoriamente doente.

Bobagem. E só um publicitário poderia mudar isso. Quem irá fazer – e oferecer ao poder publico, se possível gratuitamente – uma campanha para promover o uso da bengala como uma atitude inteligente da pessoa idosa? A bengala jamais deve ser encarada como um sinal de dependência, mas como um símbolo de segurança. É preciso mostrar que idosos inteligentes usam bengala. A criatividade publicitária funcionaria assim para auxiliar o envelhecimento ativo, pois, a falta de bengala leva ao tombo, um dos maiores problemas de saúde pública no país. Conseqüentemente, debilitam o idoso mais rapidamente.

Pesquisa recente do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP/Fiocruz) mostrou que 37,5% dos entrevistados haviam caído no último ano. As conseqüências mais citadas foram fraturas (24,3%), aumento do medo de cair (88,5%), abandono de atividades (26,9%), modificação de hábitos (23,1%) e imobilização (19%). Todas essas alterações retiram o idoso do mercado de trabalho, logo, significam redução da renda.

Mantê-lo ativo será uma prioridade para as empresas e governos. Aquele idoso aposentado, deitado em uma rede, pintando quadros ou exercendo qualquer atividade por diletantismo, desculpe, leitor, a provocação, é coisa de propaganda. Mais da metade dos idosos brasileiros trabalham depois da aposentadoria. Trabalham duro. Com hora para chegar e hora para sair. A população economicamente ativa está envelhecendo e precisa manter-se saudável. Caso contrário, aquela visão de que o envelhecimento populacional cria obrigatoriamente um mercado consumidor será apenas uma miragem.

*Jorge Felix, 41 anos, é jornalista especializado em envelhecimento populacional e membro do núcleo de pesquisas Políticas para o Desenvolvimento Humano (PUC-SP).

Publicado no jornal Meio & Mensagem, edição nº 1334, de 10 de novembro de 2008 (pág.47).

enviada por Jorge Felix



10/10/2008 15:29

Espaço de leitura para a terceira idade

Publishnews - 10/10/2008 - por Redação

Foi inaugurado nesta sexta-feira, 10 de outubro, em comemoração ao Dia Internacional do Idoso, no Parque da Água Branca (Av. Francisco Matarazzo, 455), em São Paulo, a Praça do Idoso e a Sala de Leitura Léia Beigler. O projeto é uma ação do Fundo de solidariedade e desenvolvimento social e cultural do estado de São Paulo, sob presidência da primeira dama, Mônica Serra, e conta com um acervo de 1.500 livros. Destes, 1.000 foram doados da biblioteca particular de Léia Beigler e outros 500 foram adquiridos com patrocínio do banco Daycoval, pela Lei Rouanet.

enviada por Jorge Felix



08/10/2008 16:09

Enfim, um programa de formação de cuidadores de idosos

O Ministério da Saúde lançou, ontem, o Programa Nacional de Formação de Cuidadores de Idosos, no Rio de Janeiro (RJ).

Ao todo, 36 Escolas Técnicas do SUS, em todo o país, poderão oferecer a formação. Para isso, cada instituição precisa fazer contato com o ministério. Até 2011, a meta é formar 65 mil cuidadores.

Um projeto-piloto de formação com 300 cuidadores foi realizado nos últimos seis meses deste ano, nas cinco regiões do país. Os cuidadores de idosos não precisam ter nível superior, mas formação adequada para lidar com pessoas com mais de 60 anos.

Eles precisam estar atentos à linguagem corporal do idoso, favorecer a comunicação entre a pessoa idosa e sua família, saber agir em situações de emergência e monitorar situações de risco.

Fonte: Observatório Nacional do Idoso

enviada por Jorge Felix



28/09/2008 18:27

Aos 100 anos, jornalista é premiada nos EUA





Mildred Heath, da cidade de Overton, Nebraska, é repórter do semanário Beacon-Observer e já trabalhou em jornais desse estado por 85 anos, disse a Associated Press.

Heath, que comprou o semanário com seu marido em 1938, é talvez a mais antiga jornalista no país, de acordo com a Experience Works, organização sem fins lucrativos que entregou à repórter, esta semana, o prêmio "Trabalhador mais antigo da América".

"Ela não fala 'Bom dia' quando te vê. Ela diz: 'Tem alguma notícia?'", disse um morador de Overton, comunidade agrícola de 646 habitantes, em um perfil publicado este ano no Omaha World-Herald.

Em uma entrevista no YouTube, Heath afirmou: "Se alguém está feliz com seu trabalho e pode fazê-lo, a idade não faz muita diferença. "

Por Dean Graber em 09/26/2008 - 11:34
(Blog do Knight Center for Journalism in the Americas, da Universidade do Texas, Austin)

enviada por Jorge Felix



01/09/2008 14:50

Qual a melhor cidade para se morar depois dos 60 anos?

Qual a melhor cidade para morar depois dos 60 anos? Há algum tempo a revista da AARP, a associação dos aposentados americanos, com 40 milhões de exemplares de circulação a cada dois meses, divulga uma pesquisa sobre a qualidade de vida nas cidades do país. Os resultados estabelecem um ranking dos paraísos americanos para os idosos.

A tendência de a população estar cada vez mais concentrada nos centros urbanos preocupa os pesquisadores do tema do envelhecimento populacional. Já citei aqui o “The world cities project”, trabalho de mapeamento das condições das cidades para atender a nova dinâmica demográfica, coordenado pelo professor V.G. Rodwin.

O que faz uma cidade saudável? A pesquisa da AARP elencou alguns critérios além da infra-estrutura, meio-ambiente, saúde e diversão, mas também o hábito das pessoas que vivem naquela comunidade. Os critérios servem também para um bairro.

Se a pessoa vive, por exemplo, próxima a uma ciclovia muito utilizada tem maior chance de utilizá-la. Se os vizinhos costumam usar a piscina do clube ou do prédio, a pessoa certamente a usará também, mesmo que não seja ao mesmo tempo. Não é uma questão apenas de querer conviver, mas de hábito.

Os pesquisadores descobriram ainda que é muito importante morar perto de um sacolão, um mercado municipal ou próximo a uma rua de feira livre. Pessoas que vivem a cerca destes lugares têm hábitos alimentares mais saudáveis.

Mas nenhum outro critério pesou tanto na pesquisa da AARP como morar em uma cidade universitária. A convivência com os jovens, em geral praticantes de exercícios físicos, melhora a vida dos idosos e os integram em um outro estilo de vida.

No caso dos Estados Unidos, essas cidades costumam ter hospitais universitários atualizados na tecnologia médica e desfrutam de bom atendimento de saúde, assim como toda a comunidade.

Outro critério, importante, mas com menor peso, são os dias de sol na cidade durante o ano.

As cidades vencedoras são: Ann Arbor, no Michigan (por seus 150 parques); Honolulu, no Hawai (uma das maiores expectativas de vida dos EUA, 80,45 anos); Madinson, Wisconsin; Santa Fé, Novo México; Fargo, North Dakota; Boulder, Colorado; Charlottesville, Virginia; Minneapolis-St Paul-Bloomington, Minnesota; San Francisco, Bay Area, Califórnia; Naples-Marco Island; Flórida (com 264 dias de sol).

Leia sobre cidades no blog:
http://64.233.169.104/search?q=cache:7V4Tyt9ykpcJ:jofe.blig.ig.com.br/2008/29/uma-pergunta-para-os-candidatos-a-prefeito.html+V.G.Rodwin&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=9&gl=br

enviada por Jorge Felix



01/09/2008 14:28

O envelhecimento no grupo BRIC

"A força da gente"

(Leia abaixo a coluna Panorama Econômico, da jornalista Miriam Leitão, publicada ontem no Globo)

Há um inimigo oculto atuando contra a Rússia neste momento e tornando ainda mais insensato o caminho bélico da dupla Putin-Medvedev. A demografia não recomendaria a eles que iniciem guerras colocando em risco os jovens. A população russa encolheu em sete milhões na década entre 1997 e 2006. As projeções indicam que o declínio vai continuar, e eles encolherão mais 13 milhões até 2025.

Hoje os russos são 141 milhões em ação; 3 milhões a menos que em 2002. Em 2025, serão 128 milhões. Há algum tempo, o país entrou num forte declínio da taxa de natalidade, a qual ficou abaixo da reposição. Isso a levará a perder as pessoas em idade produtiva e ter um aumento dos idosos. Até 2025, as projeções indicam que a população de 15 a 64 anos vai diminuir em 16%. Os russos com 65 anos ou mais vão aumentar em 18%. A idade mediana no país já é perto de 40 anos. Uma sociedade assim, com velhos aumentando e a população ativa diminuindo, enfrenta riscos e dúvidas.

Esta deveria ser a hora de o governo poupar os recursos do petróleo e preparar o futuro, em vez de alimentar expansionismos geopolíticos da guerra fria. O governo tem feito campanhas a favor da natalidade, e está subsidiando o terceiro filho; mesmo assim, essas políticas não têm tido muito efeito.

Má hora para abrir várias frentes simultâneas de conflito com o Ocidente. Por gestos e palavras, a dupla do barulho que ocupa o Kremlin pode reagir contra outros governos pró-americanos da região, como a Ucrânia, por exemplo. Putin e Medvedev fizeram declarações fortes contra os mísseis americanos na Polônia. Imagine se acabam se envolvendo em conflito em todas essas frentes? Demograficamente falando, não deveriam.

Se for olhado apenas por esses dados — retirados do US Census Bureau —, que raramente entram na conta dos economistas, o Brasil está na melhor situação dos BRICs. A população chinesa e indiana é gigantesca, e vai permanecer crescendo até atingir, cada um, perto de 1,5 bilhão de pessoas, em 2025.

O Brasil tem uma população de tamanho razoável. Com as taxas de fecundidade caindo aqui mais que o esperado, os dados estão sendo revistos. Na sexta-feira, o IBGE informou que cálculos novos indicaram que o país continuará crescendo até 2040, quando chegaremos a 220 milhões de habitantes; depois a população começa a cair.

Até 2025, segundo os últimos dados detalhados do IBGE, o país vai diminuir um pouco a população de 0 a 14 anos, dobrará o número de idosos, mas vai continuar ampliando o grupo em idade produtiva — de 15 a 64 anos —, que aumentará 21%. A China ficará com essa faixa da população praticamente estagnada, e vai quase dobrar o numero de idosos, o que significa o ingresso de aproximadamente 100 milhões de pessoas a mais nessa faixa de idade. Para eles — e para nós também — é fundamental ter um sistema de previdência que funcione e incentive as pessoas a poupar para que o peso não recaia quase inteiramente sobre o Estado.

A Índia tem a população mais jovem dos quatro e continua crescendo de forma mais acelerada. Acrescentará, até 2025, uma multidão de 320 milhões à sua população. Ela tem um indicador que é olhado como ativo — o aumento da população em idade produtiva será o maior dos quatro BRICs, de 31%. Por outro lado, isso é um enorme desafio, dado o tamanho monstruoso de sua população, dada a dimensão do número de excluídos. Esse crescimento exigirá muito da economia.

Um estudo publicado no site do FMI calcula que a Índia tem que criar 13 milhões de empregos por ano pelos próximos 40 anos. O país ainda tem atrasos na educação que fazem o Brasil até parecer bem-sucedido nesta área, como, por exemplo, quase 50% de taxa de analfabetismo entre as mulheres. A educação das mulheres tem um reflexo direto na taxa de natalidade e, mais importante, na educação dos filhos. É impossível se modernizar apenas investindo numa elite super educada, deixando metade das mulheres na ignorância, como faz a Índia. A China, apesar de todo o enriquecimento recente, tem também muitos excluídos.

Pelos grandes números da China e da Índia, pelo encolhimento e envelhecimento rápido da Rússia, pela nossa relativa juventude e tamanho equilibrado da população, o Brasil é o que tem o melhor quadro demográfico. Mas que nos apressemos. Nossa chance de dar o salto é nos próximos 20 anos; e o custo da previdência é alto demais para uma população tão jovem.

Quando se compara o Brasil com a Índia, a China e a Rússia, elas parecem mais perto do perfil de potência. Principalmente os dois últimos países. A Rússia renascendo pela força do petróleo, depois do colapso de dez anos atrás; a China com seu crescimento acelerado. Mas os três estão em áreas conflagradas.

A Índia é vizinha do Paquistão, com quem tem disputas territoriais antigas. Ambos têm bomba atômica, e o Paquistão virou o que a imprensa americana chama de "país mais perigoso do mundo". Lá se refugiaram os talibãs e a Al Qaeda. A Rússia reabriu a temporada de instabilidade e encomendou o que pode ser uma seqüência de episódios de conflitos. A China tem conflitos internos reprimidos pela ditadura e também pretensões expansionistas.

Perto deles, o Brasil parece viver numa região pacífica. Aqui, a ameaça de guerra entre Venezuela e Colômbia durou 12 horas. Os demais BRICs têm mais o perfil de potência pelo poderio bélico e atômico. Mas sabe qual a diferença? O Brasil não tem esse tipo de pretensão sobre território alheio. Aqui o que faz falta não é o míssil russo, o exército chinês, a bomba nuclear indiana. O que nos faz falta mesmo é a educação da Coréia.

enviada por Jorge Felix



30/08/2008 16:08

Especialista em envelhecimento absolve McCain

The Economist foi ouvir Robert Butler, médico pioneiro no estudo do envelhecimento nos Estados Unidos, sobre um suposto “risco idade” caso John MacCain seja eleito presidente dos Estados Unidos.

A revista quis saber – especificamente em termos médicos – como a idade de McCain pode afetar o exercício da presidência e como o fator do “ageism” (o preconceito contra o idoso) interfere na eleição norte-americana.

Butler absolveu McCain e disse que nunca tinha notado qualquer sintoma em seu comportamento que pudesse ser conseqüência de seus 72 anos. Pelo contrário, disse que McCain parece ter bastante energia.

No entanto, Butler destacou que, se McCain apresentasse – em entrevistas ou discursos – algum sinal de deficiência em decorrência da idade, não só os jovens o rejeitariam, mas os idosos também.

As pessoas com mais de 60 anos, disse Butler, podem às vezes ter mais preconceito – ou tanto quanto – do que os jovens com os idosos – é uma forma de projeção dos seus próprios medos de se tornarem dependentes e doentes.

Até mesmo sobre o melanoma de McCain, a The Economist quis saber a opinião de Butler e ele disse que era preciso haver um acompanhamento da doença.

Mais próximo das idéias democratas, Butler reforçou a tese, apresentada em seu livro The Longevity revolution e já comentada aqui no blog ou em entrevista com o autor para algumas revistas, que os idosos, ao contrário de outros grupos, não costumam votar em bloco em um candidato.

Ouça a entrevista no Democracy in America, no site da The Economist:

http://audiovideo.economist.com/

enviada por Jorge Felix



28/08/2008 17:27

Aposentados na UE vão dobrar em 50 anos

(Bloomberg, Valor Econômico, 27/08/2008)

O número de trabalhadores por aposentado na Europa cairá para a metade nos próximos 50 anos, segundo projeções da União Européia (UE), exercendo pressão adicional sobre as finanças públicas dos diferentes governos devido ao crescimento dos gastos com as aposentadorias.

Em 2060, o número de pessoas em idade economicamente ativa para cada pessoa com pelo menos 65 anos cairá para dois, em comparação com quatro, hoje, indicou o birô estatístico da UE, em Luxemburgo , em projeções populacionais publicadas ontem.

A população nos 27 países-membros da UE poderá crescer para 521 milhões em 2035, dos atuais 495 milhões, antes de baixar para 506 milhões em torno de 2060, revela o relatório.

O envelhecimento das populações incrementará a pressão fiscal sobre os governos europeus, pois taxas de natalidade mais baixas implicam que um número menor de pessoas sustentará uma proporção crescente de pessoas aposentadas.

A fração da população total com pelo menos 65 anos terá quase dobrado, para 30%, em torno de 2060, devido, em parte, a “persistente baixa fertilidade”, segundo o relatório.

“Esse é um dos principais desafios que a Europa terá de enfrentar, ao lado das mudanças climáticas e da globalização”, disse Amélia Torres, porta-voz de Joaquin Almunia, comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, a jornalistas em Bruxelas.

A UE usará as projeções populacionais para estudar “a pressão que o processo de envelhecimento exercerá sobre a economia e o orçamento”.

A partir de 2015, anualmente, as mortes suplantarão os nascimento, ao passo que a partir de 2035, a migração líquida positiva deixará de ser suficientemente forte para “contrabalançar a variação natural negativa, e as projeções indicam que a população começará a diminuir”, disse o birô estatístico.

O relatório também projeta que o Reino Unido e a França ultrapassarão a Alemanha, passando a ser os países mais populosos da Europa.

O número de pessoas que vivem no Reino Unido dará um salto de 25%, para 76,7 milhões de habitantes, em torno de 2060, ao passo que a população francesa deverá crescer 16%, para 71,8 milhões.

No mesmo período, a população alemã encolherá 14%, para 70,8 milhões de habitantes.

Chipre e Irlanda registrarão provavelmente os maiores crescimentos populacionais nos próximos 50 anos — de 66% e 53%, respectivamente — segundo o relatório.

Bulgária e Letônia deverão registrar declínios populacionais superiores a 25% nesse período.

enviada por Jorge Felix



28/08/2008 17:17

Idosos serão o maior mercado consumidor do Japão até 2020


(Bloomberg, Valor Econômico, 19/08/2008)

Idosos serão o maior grupo consumidor do Japão até 2020 Bloomberg Os cidadãos da terceira idade do Japão — país que apresenta a menor taxa de natalidade do mundo — formarão o maior grupo de consumidores do país até 2020, disse em relatório o Mitsubishi UFJ Financial Group.

“Os idosos desempenharão um papel fundamental no setor de consumo doméstico do Japão”, segundo o relatório. Os japoneses com 70 anos ou mais responderão por cerca de 20% do consumo realizado no país, contra os 13% de 2005, segundo o relatório do Mitsubishi UFJ.

A proporção de pessoas com pelo menos 65 anos disparou no Japão (veja gráfico abaixo), em relação aos Estados Unidos, ao Reino Unido e à China desde 1991. Até uma década atrás, o Reino Unido possuía uma população mais velha que a do Japão.

Cerca de 20,6% da população de 127 milhões de pessoas do Japão têm pelo menos 65 anos, segundo informação do Censo dos Estados Unidos. Segundo um relatório do Censo americano divulgado na semana passada, 20,2% da população dos EUA farão parte dessa faixa etária até 2030.

O relatório prevê ainda que a população americana crescerá mais de 40% durante esse período, passando a somar 439 milhões de pessoas. A população do Japão começou a diminuir em 2007, afirmou o estudo do Mitsubishi UFJ, citando dados do governo japonês.

A queda foi resultado da baixa taxa de natalidade e da ampliação da expectativa de vida das pessoas. A economia japonesa só fica atrás da dos Estados Unidos em termos de Produto Interno Bruto (PIB) total.

“Nós acreditamos que a redução na população total vai gerar um impacto inevitável sobre o consumo pessoal para cada item das despesas”, segundo o relatório. Os gastos com assistência médica, leitura e lazer estão entre os que crescerão à medida que a população japonesa envelhecer, informou o relatório de 8 de agosto passado.

As despesas pessoais realizadas pelos “baby boomers” mais novos, grupo em sua maioria formado por pessoas nascidas depois de 1970, provavelmente não serão tão altas quanto as da geração anterior devido aos hábitos de consumo “defensivos” incorporados nos últimos anos, quando a economia japonesa registrou uma estagnação de salários e crescimento econômico limitado relativamente a outros países, segundo o relatório.

enviada por Jorge Felix



19/08/2008 17:41

República de idosos, nova moda na Europa

De acordo com o Census Bureau, eles representam 29,5% da população norte-americana e somam cerca de 76 milhões de pessoas. É a faixa de idade com percentual mais alto do total. Na Europa, os baby-boomers, aqueles nascidos de 1946 a 1964, dependendo do país, representam até um percentual maior na população do que nos Estados Unidos.

Mas aqueles bebês, que tanto ajudaram a propagar a felicidade e a ilusão de paz eterna do pós-guerra, agora, são vovôs e vovós e, se nos anos 40 e 50 faziam bagunça com os irmãos nas salas e quintais dos avós, no século 21 estão a procura de abrigo.

O baby-boom é hoje o papy-boom. Aqueles bebês optaram por um outro estilo de vida e constituição familiar. A mulher daquela geração é outra. Uma trabalhadora integrada na sociedade e no mercado de trabalho. Isso significou gerar menos bebês. Um ou dois filhos, no máximo, sobretudo nos países ricos.

O desafio dos papy-boomers, ao chegarem aos 65 anos, aposentados, é escolher um lugar para morar. Asilo? Isolamento? Casa dos filhos? Não. Na Europa, principalmente, os idosos estão optando por constituir repúblicas à imagem e semelhança daquelas que eles criaram quando eram jovens universitários.

Na Alemanha há uma explosão de WG (pronuncia-se veguê) ou wohngemeinschften. A co-habitação tem sido a saída mais bem sucedida para os idosos sem filhos ou pais de filho único. Não só viúvas e viúvos decidiram dividir uma casa ou apartamento, mesmo casais têm optado pelas repúblicas.

Este comportamento é atualmente um grande negócio na Europa e movimenta o mercado imobiliário e uma série de serviços exclusivos para as repúblicas de idosos.

Além de ser uma forma de dividir a fragilidade da velhice e repartir os custos da longevidade, a co-habitação é o melhor remédio para a solidão, a depressão ou a ansiedade – doenças que se tornaram comuns nesta fase da vida.

Algumas construções, projetadas por gigantes da construção civil, são adaptáveis para situações futuras, como uso de cadeiras de rodas, por exemplo.

Na Alemanha, onde os cidadãos podem dispor de aposentadorias mais justas, os papy-boomers sofisticaram a tal ponto as repúblicas que participam desde a elaboração da planta da casa, construída em cooperativa, podendo escolher quantos metros quadrados terá uma suíte, até à escolha de empregados para auxiliá-los, como motorista, cozinheira e arrumadeira – um conforto possível com a divisão dos custos.

Na França, após a canicule de 2003, quando muitos idosos solitários morreram de calor, foram criadas várias associações, algumas em rede como a “Cocon3s”, sempre seguindo o espírito do filme “Albergue espanhol”.

enviada por Jorge Felix



04/08/2008 14:17

Rede governamental combate violência a idosos

A Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República em parceria com o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli, da Escola Nacional de Saúde Pública (Claves/ENSP/Fiocruz), criou, há dois meses, um observatorio para acompanhar e combater a violência à pessoa idosa.

O Observatório Nacional da Pessoa Idosa funciona como um espaço permanente para o intercâmbio de informações entre as equipes dos 18 Centros Integrados de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa espalhados pelo país.

Em parceria também com a Fundação Oswaldo Cruz, o observatório
já está na web como um fórum de trocas de experiências e informações, com a publicação de artigos acadêmicos e legislação.

O site inclui ainda links sobre o tema. A equipe é coordenada pela Profª Drª Maria Cecília de Souza Minayo, autoridade inquestionável no tema da violência e da saúde do idoso.

Os Centros de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa são serviços de prevenção e apoio a idosos vítimas de violência e maus-tratos.

Esses Centros constituem-se como uma das estratégias de ação prevista no Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência contra a Pessoa Idosa (2007-2010), da SEDH, através da Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos.

http://www.direitoshumanos.gov.br/observatorioidoso

enviada por Jorge Felix



16/07/2008 11:08

Previdência na França: 41 anos de contribuição!

Os franceses, ao que parece aos olhos de quem entende de Previdência no país, já estão conformados em ampliar de 40 para 41 anos o tempo de contribuição para obter a aposentadoria integral.

Com as taxas de inflação mais alta dos últimos 17 anos, um movimento sindical muito mais alinhado com o governo Sarkozy e este, por sua vez, pressionado pelo orçamento em dissonância com as exigências da Comunidade Econômica Européia, a França abre mão cada vez mais de ser a referência em seguridade social.

Conversei com Bruno Palier, especialista em Previdência, autor de vários livros entre os quais “La reforme des rétraites –travailler plus?” (Puf, 127 pags., sem tradução em português). Segundo ele, a resistência sindical já esteve muito mais forte aos 41 anos de contribuição.

O problema, aponta Bruno, é que o aumento do tempo de contribuição vem acompanhado de uma série de reduções no arcabouço social francês. O sistema de pré-aposentadoria (no qual o trabalhador desempregado com mais de 55 anos passa a receber um benefício para completar seu tempo de contribuição) passou a ser visto como um “desperdício”, depois que François Fillon, ainda como ministro do Trabalho, o definiu assim.

Os franceses – com as mais baixas taxas de empregabilidade aos 55 anos ou mais de toda a Europa – viram o tempo de contribuição aumentar de 37,5 anos a 40 anos (reforma de 1993, setor privado) e o percentual de contribuição também elevar de 4,7% a 6,55% e estão, agora, constantemente ameaçados por uma mudança do tempo de contribuição para até 42,5 anos, como querem alguns reformistas.

Uma reforma do sistema de Previdência, segundo Palier, é mais do que necessária. A França, em 2040, segundo dados da ONU, terá um terço da população com mais de 65 anos. Mas o fenômeno do envelhecimento populacional é apenas a desculpa, segundo o pesquisador. “A reforma é conveniente para justificar a escolha de certas opções e o abandono de outras, em referência não somente à dinâmica demográfica, mas também às escolhas econômicas da França e da Europa”, afirma.

Por aqui, o fim do fator previdenciário começa a ser discutido com uma outra carta na manga: o aumento do tempo de contribuição de 30/35 anos para 42 anos.

É um sinal amarelo. Porque, desta vez, aquela referência de 300 mil pessoas protestando na ruas de Paris (e vencendo!), como ocorreu em janeiro de 2001, é apenas uma foto de arquivo.

enviada por Jorge Felix



15/07/2008 13:47

No country for old men

Sobre o título do post abaixo, apenas copiei o original publicado na Folha de S. Paulo.

Mas, depois, me chamou a atenção a referência ao filme ganhador do Oscar deste ano: "Onde os fracos não têm vez".

No filme, embora fique mais na memória do espectador o personagem de Javier Bardem (excelente!), o tema central é o envelhecimento e a ausência de valores de um outro tempo.

Só por curiosidade, vale a pena aqui sublinhar o título em inglês: "No country for old men", primeiro verso do poema "Sailing to byzantium", de W.B. Yeats.


enviada por Jorge Felix



13/07/2008 20:04

Onde os velhos não têm vez

(Folha de S.Paulo, Caderno Mais!, 13/07/2008)

O ESCRITOR ESCOCÊS IRVINE WELSH, DE "TRAINSPOTTING", VIAJA À FLÓRIDA E CONCLUI QUE ELEIÇÃO SE DECIDIRÁ PELO CONFRONTO DE GERAÇÕES

IRVINE WELSH

Há algo estranhamente incompatível em Janet Jorgulesco, enquanto conversamos sentados no bar iluminado de um clube noturno de Miami Beach.

É a tosse que pontua sua conversa: um pigarro sufocado que eu associo mais a velhinhos nos bares forrados de serragem e cuspe no Leith Walk de Edimburgo do que a essa moradora da Flórida muito ciente de sua aparência.

A tosse é um resquício de uma segunda crise de pneumonia, recorrente depois de uma volta ao trabalho apressada.
Funcionária das indústrias de promoções imobiliárias e lazer, típicas de Miami, Janet, como a maioria dos americanos, está dolorosamente consciente de que há sempre alguém esperando para ocupar seu lugar se você não estiver lá.

Ao voltar à luta cedo demais, ela está jogando com a saúde, mas diz: "Não tenho seguro e, quando adoeço, só posso esperar melhorar. Se tivéssemos uma saúde pública mínima, seríamos cidadãos mais fortes e mais viáveis".

Lá fora o ar está perfumado. As férias de primavera terminaram, e Miami se prepara para mais um verão radiante.
Mas Janet, como muitos moradores da Flórida, está menos preocupada com festas na praia do que com a batalha política dos próximos meses até novembro, quando o Estado, ainda marcado pelo escândalo da apuração de 2000, que deu uma vitória incrivelmente apertada a George W. Bush, ajudará a decidir entre o velho e o novo, na forma de John McCain e Barack Obama.

Alguns dizem que a decisão é na verdade entre um negro e um branco, tese discutida na Virgínia Ocidental e em outros Estados pobres e brancos.

A Flórida, porém, situada no sul profundo, mas não exatamente parte dele, salienta uma outra divisão -que poderá se mostrar mais importante para a eleição presidencial.

Aqui, a batalha McCain-Obama é entre gerações de americanos: o veterano de guerra contra o enigma que parece pelo menos dez anos mais jovem que seus 46. A surpresa dessa disputa é que, com Hillary Clinton fora, a tão falada geração "baby boom" foi eliminada da corrida.

Obama surfa em uma onda demográfica diferente - Morley Winograd e Michael Hais, autores de "Millennial Makeover" [Repaginação do Milênio, Rutgers University Press, 336 págs., US$ 24,95, R$ 40], indicam que em 2010 a chamada geração do milênio (os nascidos a partir de 1982) vai superar a dos "baby boomers", nascidos depois da Segunda Guerra Mundial.

Eles também afirmam que aproximadamente 40% dessa geração do milênio é de afro-americanos, latinos, asiáticos ou mestiços. Um em cada cinco "milenares" tem um dos pais imigrante. E Miami é o epicentro multicultural dos EUA.

A (autodenominada) "cidade do futuro" muitas vezes parece mais com Bancoc ou Bogotá do que qualquer outra cidade americana.
Esta é a nova ilha Ellis, o principal porto de entrada para candidatos a americanos. Deveria ser um território fértil para um candidato genuinamente multicultural.

Eu moro em Miami durante parte do ano. Minha mulher, natural de Chicago, é acólita de Obama desde que ele concorreu ao Senado em Illinois.

Desde então, registrei mentalmente vários norte-americanos semelhantes a ela: brancos suburbanos na faixa dos 20 anos, de mentalidade independente, atraídos para a política partidária por esse candidato carismático.

Por isso estou conversando com eleitores brancos e hispânicos jovens do "Estado Ensolarado" para tentar avaliar o apelo de Obama e determinar suas probabilidades de vencer a eleição.

Pobreza nova

Vamos relembrar: Obama está se saindo bem com os eleitores negros. É um sucesso com o eleitorado branco, bem educado, da classe média alta. O espinho no seu pé têm sido os brancos da classe trabalhadora -e é aqui que a equipe de Obama vai jogar a carta da idade. Pela primeira vez na história, os americanos brancos de classe média de 20 e 30 anos enfrentam a possibilidade de ser mais pobres que seus pais.

Os diplomas superiores que eles possuem podem lhes dar pouco mais que empregos no comércio. E a palavra tabu "recessão" agora está sendo citada abertamente.

Números recentes do Federal Reserve [o banco central dos EUA] mostram que pela primeira vez as famílias norte-americanas estão ficando mais pobres -a riqueza total das famílias diminuiu US$ 533 bilhões no quarto trimestre de 2007. Os preços das ações estão caindo e os das residências também.

Muitos estão irritados por serem excluídos do dividendo de paz depois do fim da Guerra Fria, acreditando que se fabricou uma nova ameaça para manter o apetite voraz do complexo militar-industrial movido a petróleo -à custa dos empregos e da saúde pública.

Tipicamente, os jovens americanos viram suas famílias mudarem atrás de trabalho -em vez de verdadeiras oportunidades- e se afastarem das antigas redes sociais.

Teorias conspiratórias

Matthew Yeasted, 30, um nativo de Baltimore, mudou-se para a Flórida há seis anos. "Socialmente, este não é um bom país para viver", diz. "Somos o único país desenvolvido que deixa seus cidadãos morrerem se não puderem pagar o seguro-saúde."

No entanto a política dos jovens americanos parece se definir cada vez menos pelas linhas tradicionais "liberal" e "conservadora" e, em vez disso, parece ter uma perspectiva mais libertária.

Michelle Sanchez, 25, é diretora de marketing de uma companhia de lazer e uma libertária dedicada. Chega ao nosso encontro trazendo muitas anotações. "Devemos parar de querer ser a polícia do universo", diz. "Internamente estamos desmoronando."

Preocupada com o livre comércio, Sanchez teme que os pactos que os EUA estão fazendo com o México e o Canadá sejam os primeiros passos para perder o dólar e abandonar a soberania. Essa geração de eleitores está menos preocupada com exportar a democracia para o mundo todo por meio da força militar do que com a situação problemática da democracia em seu próprio país.

Christie Samoville, 32, diretora de vendas e marketing da Intel, enfrentou o tráfego pesado para me encontrar no restaurante mais famoso de South Beach.

Acaba de voltar para os EUA depois de trabalhar durante três anos no Brasil e sente que seus colegas estão "cansados dos velhos brancos". Samoville se descreve como "socialmente democrata e financeiramente republicana", mas está inclinada para Obama.

Talvez isso não cause surpresa em uma pessoa moderada e viajada. A origem étnica mista de Obama e sua disposição a questionar as tradições da política externa dos EUA o distanciam de políticos do establishment, como Hillary Clinton, George W. Bush e John McCain, assim como de ativistas negros tradicionais, como Jesse Jackson e Al Sharpton.

Adaptação

Além disso, o estilo de liderança "adaptativo" de Obama atrai essa geração mais jovem.

Marty Linsky, professor convidado da Kennedy School [da Universidade Harvard] e co-fundador da Cambridge Leadership Associates, explica o termo: enquanto o líder "visionário" tradicional apresenta um plano específico a ser implementado, um líder adaptativo trabalha com os eleitores para criarem juntos o plano.

Obama, segundo Linsky, "propõe planos que envolvem confiança na comunidade como um todo".

"Sinto-me exaltado, como se estivesse de volta à faculdade, com essa sensação de que realmente podemos fazer alguma coisa aqui", diz Nick Porras, um recém-convertido à causa de Obama. Um advogado de 35 anos originário de Nevada, Porras é um republicano que acredita que "um país só é tão bom quanto seus mercados".

Seu respeito por Obama decorre do que considera a "inteligência e integridade" do candidato -e foi cimentada por uma recomendação pessoal.

Um de seus amigos foi colega de classe de Obama e disse a Porras: "Você nunca conheceu alguém com tanta integridade pessoal na sua vida". "Isso me conquistou", diz.

Essa é a geração Wikipédia. A informação dos colegas é muitas vezes considerada mais confiável e digna de crédito do que a mensagem imposta de cima para baixo.

Não é exagero otimista: estudos mostraram que os sobreviventes do atentado às Torres Gêmeas tendiam a ser aqueles que confiavam nos colegas, mais que na informação oficial.

Mundo colorido

Talvez seja heresia para o culto do líder imperial, na política ou nos conselhos administrativos dos conglomerados de mídia, mas é o futuro.

O presente, entretanto, pode ser uma questão um pouco diferente. Michelle Sanchez não votará em Obama -nem em nenhum outro candidato- em novembro.

"Obama, McCain são essencialmente a mesma coisa: não vão confrontar o poder das grandes corporações."

Yeasted, que é gay, não está impressionado com a posição de nenhum candidato sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Os políticos mentem, só querem dar aos lobistas e a todo mundo o que querem escutar."

O status quo significa que Yeasted e seu parceiro canadense continuam de fato cidadãos de segunda classe, mas ele admite que a política é a arte do possível. Estar muito à frente do eleitorado é tão suicida quanto ficar atrasado demais.

Um homem cujo negócio é colocar o dedo no pulso de Miami é seu filho nativo e "bon vivant" John Hood, que promove vários clubes noturnos e escreve para quase todas as revistas da cidade.
Uma festa ganha status quando você avista seu chapéu panamá e seu terno de linho.

Sair por uma noite com "The Hood" às vezes é parecido com estar em campanha eleitoral.

Enquanto percorremos um itinerário impraticável de bares, restaurantes e boates, ele opina sobre a situação da disputa.
"Juventude e inspiração são os principais componentes da Obamamania. É claro que sua juventude é relativa e sua inspiração, cada vez mais apoiada em platitudes, mas a América é obcecada pela juventude e ficou muito tempo sem alguém inspirador." Para ele, "a grande questão é se podemos superar o fator raça".

Hillary mostrou aos republicanos como conter o avanço de Obama -e lhes deu uma amostra do que vai enfrentar contra McCain. Com o desespero dos republicanos disputando a eleição em uma possível recessão, a questão talvez não seja se devem jogar sujo (e, contra Obama, isso significa usar a carta da raça), mas como.

A tradicional mensagem da direita americana contra os impostos e gastos públicos atinge um tom agudo com um orçamento de guerra mensal de US$ 15 bilhões para financiar e o Irã já na mira do Pentágono e dos falcões políticos. Encolher os ombros e atribuir a situação atual ao ciclo comercial não vai impressionar esse eleitorado.

Republicanos datados

A tese econômica de que os cortes de impostos para os ricos "escorreriam para baixo" e beneficiariam a sociedade como um todo, defendida pelo governo Bush, mais uma vez não se confirmou.

Decidir minar a posição de Obama como o negro em quem os brancos dos subúrbios podem confiar (pintando-o como um O.J. Simpson, mais que um Tiger Woods) é uma estratégia perturbadora. Se atingir a nota errada, poderá resultar no colapso eleitoral para os republicanos. Se o truque der certo, significa grandes problemas para a sociedade americana.

Muitos dos novos americanos não vêem mais seu país como uma terra prometida.

Michelle Sanchez deseja viver em Cingapura, Matthew Yeasted acha que seu futuro talvez esteja no Canadá. Barack Obama pareceria oferecer ao país sua melhor chance de se modernizar. Se essa oportunidade não for aproveitada, diante do entusiasmo que ele trouxe de volta à política, a desilusão está no horizonte.

"Muitos eleitores brancos nunca votarão em um negro, e esses tendem a ser os eleitores mais velhos", diz Christie Samoville. "Raiva" [em inglês, "rage"] soa perturbadoramente como uma mistura de raça e idade [em inglês, "race" e "age"], e talvez muito disso ainda circule pelos EUA até que se conheça o destino de Barack Obama nas eleições de 2008.

(A íntegra deste texto saiu no "Financial Times". Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves .

enviada por Jorge Felix



09/06/2008 12:33

"There is a trouble in the air"

"Num país onde o envelhecimento da população se dá de maneira rápida, a doença crônica é o principal problema e a epidemia de violência pressiona o sistema de saúde, nós temos que buscar uma solução. Não tem jeito."

O alerta feito pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, passou um pouco desapercebido e fora das manchetes, em meio à discussão de criar uma nova CPMF. Mas Temporão bateu na tecla que estamos, há semanas, discutindo aqui no blog.

A propósito do tema, a revista The American, de junho, publica artigo de Nicholas Eberstadt, autor do livro “Europe´s coming demographic challenge”, professor de Economia Política do American Enterprise Institute. É leitura obrigatória para entender a questão da Saúde dentro da perspectiva econômica e a nova configuração deste setor na dinâmica de envelhecimento populacional.

“There is a trouble in the air”, começa Eberstadt. Ele analisa as conseqüências de uma estagnação populacional, já verificada na Europa, na população economicamente ativa e a necessidade de os países manterem um certo nível de saúde da população sob pena de sofrerem com a escassez de mão-de-obra e seus desdobramentos inflacionários.

Ou seja, reduzir gastos e cortar impostos que deveriam ser dirigidos para a saúde pode não ser tão bom assim para o agregado da Economia. Pelo menos é isso que a experiência, segundo Eberstadt, tem monstrado.

Ele alerta que o caminho na Europa tem sido sempre: reduzir o consumo pessoal, ampliando a poupança e, por parte do governo, redução dos gastos públicos em saúde, previdência e programas sociais. Mas as conseqüências disso podem ser, segundo ele, ferir de morte uma força de trabalho que conseguiu, a despeito do envelhecimento da população, se manter bem e produtiva.

Daqui pra frente, alerta Eberstadt, será mais difícil chegar a este equilíbrio, mesmo se a Europa liberasse a imigração. O desafio, agora, diz ele, é criar condições – em políticas públicas – para o cidadão postergar o máximo a fase da vida que as despesas superam as receitas. E a Economia da Saúde tem um papel fundamental neste processo. E, segundo Eberstadt, a solução para este problema que está no ar é aumentar os gastos em Saúde.

(Europe´s coming demographic challenge - unlocking the value of health) - 70 págs - sem tradução em português - AEI Press)

enviada por Jorge Felix






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